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ENTREVISTAS



Fernando Fleury

Entrevistas - Fernando Fleury- Editor Chefe do site Fanáticos por Futebol


1) Como se iniciou a sua relação com o jornalismo esportivo?
Olha, meio sem querer, sabia? Foi em meados do ano 2000 quando juntos com alguns amigos começamos a desenvolver um site chamado boleiros.com.br. O projeto durou cerca de 2 anos e fo bem legal. A idéia era termos torcedores de verdade escrevendo sobre os seus times de coração. Valia tudo. Divulgar informações ou ser da turma do amendoim. O importante era que cada "colunista" fosse um representante de sua torcida.


2) Quando teve a idéia de criar um site especializado?
A idéia surgiu no meio de 2003. O boleiros.com.br estava indo muito bem, mas ficava claro, para mim, que faltava alguma coisa. Chamei os amigos que eram responsáveis, junto comigo, pelo site e propus aumentarmos o site criando sessões com notícias diárias, desenvolvendo jornalismo de verdade. Porém todos os "sócios" preferiam continuar na mesma linha e aí acabei optando por sair e desenvolver um novo site. Foram seis meses de pesquisa para traçar o que seria um site ideal do ponto de vista do torcedor. Foi aí que surgiu o Fanáticos Por Futebol


3) Sempre teve o sonho de trabalhar com o futebol?
Sim, sempre. Apesar de muitos não acreditarem joguei muita bola quando era moleque e sempre fui muito ao estádio. Posso dizer que sempre fui um fanático por futebol. Na faculdade comecei a desenvolver alguns projetos relacionados ao esporte e uma coisa levou a outra. Fui ampliando o foco de atuação e, hoje, não me vejo fazendo outra coisa.


4) Você tem uma formação ligada ao marketing, de que forma isso se associa com o jornalismo esportivo?
A idéia do site www.fanaticosporfutebol.com.br surgiu muito mais como um produto de marketing do que um produto jornalístico e explico isso: Olha só, quando resolvi montar o site foi porque comecei a sentir falta de alguma coisa mais interessante na imprensa esportiva. Programas de rádio, jornais, internet, todos os meios de comunicação faziam e, ainda fazem o mesmo. Porém, a criação de um produto diferenciado não poderia, de forma alguma, focar a linha editorial do site. Então o grande trabalho no desenvolvimento do fanáticos sempre foi, e sempre será, pensar em como desenvolver uma marca sem interferir na linha editorial. A chegada ao projeto de jornalistas de renome e muitos em fase de formação contribuiu para que esse trabalho fosse feito de forma correta. A participação de pessoas como Elias Awad, Ricardo Capriotti, Eder Luiz, Mauro Beting entre muitos outros ajudaram muito neste processo de transformação.

E, pessoalmente, acredito que conseguimos realizar nosso trabalho. Hoje, se você for nas principais redações do Brasil garanto que você verá algum repórter que teve sua primeira experiência no www.fanaticosporfutebol.com.br. E isso para mim é gratificante. Alcançamos um grau de reconhecimento interessante nos órgãos da imprensa primeiro do que do próprio internauta.


5) Qual a sua opinião sobre a forma que a imprensa trata o futebol do ponto de vista do marketing?
Não gosto. Acho que a imprensa e muitos jornalistas possuem enormes dificuldades de enxergar o futebol como um negócio. Ainda estão na época que o futebol era simplesmente um esporte apaixonante. É muito difícil achar alguém que fale do futebol como um espetáculo, um show. O futebol hoje deve ser colocado como forma de entretenimento das pessoas e devemos ver como concorrentes diretos do futebol o teatro, o cinema, a televisão e tudo que se relaciona com o entretenimento. E não vejo este tratamento na imprensa esportiva em geral. Para piorar temos muitas emissoras de rádio e TV, assim como imprensa escrita, que se recusam a falar o nome de alguns patrocinadores ou mostrar a imagem deste patrocinadores. Basta ver as entrevistas coletivas.

A emissoras de TV cada vez mais escondem tudo que existe a volta do entrevistado. Os profissionais de marketing do clube procuram criar situação e locais onde seus patrocinadores possam estar aparecendo e cada vez que conseguem as emissoras bolam um jeito de não mostrar. Até que teremos um dia que a emissora de TV terá que passar só o áudio da entrevista.

Outro exemplo clássico foi a projeto de name right da Arena da Baixada. Ferramenta tradicional de renda para os clubes, deveria ter sido aplaudida de pé por todos, mas não. Todo mundo se recusou a falar o nome da empresa. A Kyocera Arena nunca foi divulgada como deveria. Assim, de que forma incentivamos outras empresas a fazer o mesmo?

E temos outros exemplos, não só no futebol. No vôlei acabamos de ver times deixando de existir porque ao invés de divulgarem no nome do time a imprensa divulgava o nome da cidade. Pura sacanagem com quem pagou para ter seu nome lá e, principalmente, por ser o principal responsável pelo desenvolvimento do esporte. Se não apoiamos este tipo de ação como podemos querer ser uma potência olímpica? Esperar investimentos do estado para isso? O Estado tem muito mais coisas para fazer do que gastar dinheiro na formação de atleta ou times. O estado tem que formar cidadão e neste processo o esporte é fundamental, mas longe de ter que formar atletas profissionais. E não vejo o presidente do COB e da CBF brigando por isso.

Outro exemplo clássico que temos são os chamados uniformes promocionais, ou terceiros uniformes. Uma idéia sensacional. Um Palmeiras amarelo, um Corinthians roxo, um Fluminense laranja. Isso é maravilhoso para a receita do clube, mas não para a imprensa. Lembro que antes todo mundo falava de como os times europeus eram inteligentes ao fazerem isso, mas quando os times brasileiros começaram a fazer o que mais víamos por aí eram matérias criticando as cores escolhidas porque não iam de acordo com as tradições do clube. Meus deus!!! a tradição ta no uniforme principal. Esse uniforme é promocional.


6) Que avaliação faz da cobertura esportiva em nosso país?
A parte jornalística, apesar de ser tudo igual, é boa. Na verdade é muito boa. As transmissões de TV possuem excelentes recursos, temos uma transmissão de rádio inigualável pela forma de narração desenvolvida aqui e temos talentos natos no jornalismo.Mas a ressalva que faço, é que é tudo muito igual. O que para nós do fanáticos é ótimo, pois nos dá a chance de sermos cada vez mais diferentes.

7) Quais sonhos pretende ainda realizar no mercado do jornalismo esportivo?

Olha.. sonho mesmo tenho vários. Mas prefiro trabalhar no campo dos objetivos e aí podemos dividir estes objetivos em duas linhas: os meus objetivos pessoais e os objetivos do www.fanaticosporfutebol.com.br

No campo pessoal penso que é hora de ampliar um pouco mais meu foco. Hoje além de "gerenciar" o www.fanaticosporfutebol.com.br escrevo em meu blog e tenho minha coluna no site da ESPN Brasil, porém acho natural expandir a área de atuação para o rádio e TV, é nisso que pretendo investir agora.

Já os objetivos para o site são menos modestos. O www.fanaticosporfutebol.com.br surgiu para ser referência de futebol na América Latina. E para alcançarmos isso estamos trabalhando em inúmeras frentes. Posso lhe adiantar que temos muitas coisas para sair do forno.

8) Qual o seu pensamento sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista ?
Depende. Para escrever ou ser comentarista sou contra. Não apenas no esporte, mas em qualquer outra área. Quem melhor que um médico para escrever uma coluna sobre doenças ou tratamentos? Que um economista para falar sobre política econômica, a alta do dólar e etc?

Agora existem áreas de atuação onde a formação é essencial. Um Editor Chefe, um Editor de Redação ou um repórter daí sou a favor.

9) O jornalista ligado ao futebol deve revelar seu time de coração?
Não vejo problema algum nisso. É impossível um jornalista ligado ao futebol não ter um time de coração. Se ele ingressou nessa carreira é porque é fanático por futebol. Se é fanático de verdade tem um time de coração. O que importa é ele saber ser neutro e acho muito mais fácil ser isento quando todos sabem seu time do que quando você tenta esconder.

10) Quais são os jornalistas em que se inspira ou admira?
Veja só. Neste campo vou me dar ao direito de falar apenas de jornalistas mais atuais, pois acho que temos um nível ótimo no Brasil. PVC, Paulo Calçade e Mauro Beting são excelentes.Apesar de muita gente não gostar Galvão Bueno é outro que tecnicamente é muito bom.

11) Que projetos você tem para o site Fanáticos por Futebol?
Como falei em diversas outras respostas buscamos no www.fanaticosporfutebol.com.br dar para o internauta aquilo que nós queremos ver e não achamos. Temos uma vantagem com relação a muitos outros órgãos, pois todos que estão na equipe são realmente fanáticos por futebol. Então é fácil para nós acharmos coisas que precisamos mudar ou acrescentar no site.

Temos um objetivo muito bem definido a respeito do que queremos ser. E temos um planejamento para levar o site a alcançar este objetivo. Inúmeros projetos estão no forno agora e logo estarão aí para todos os internautas, mas posso garantir que manteremos nossas raízes: de ser um site de fanáticos por futebol, de verdade.

12) Nesse final deixamos o espaço aberto para um recado aos nossos internautas
Gostaria de agradecer a oportunidade de expor minhas idéias no site da Aceep, e convidar os internautas a acessarem o site www.fanaticosporfutebol.com.br, uma equipe de jovens profissionais desenvolvendo uma forma diferente de se falar sobre futebol
Obrigado


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