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ENTREVISTAS



Sérgio Xavier

Entrevistas - Sérgio Xavier


1) Como você iniciou sua carreira no jornalismos esportivo?
Apesar de começar no jornalismo com a idéia fixa do jornalismo esportivo, deu tudo errado. Fui parar no jornalismo econômico, Estadão, Agência Dinheiro Vivo e Istoé. Como não existia uma editoria de esporte e o Mino Carta sabia que eu gostava do assunto, ia fazendo as matérias que apareciam na área. Assim parei no futebol, assim cobri minha primeira Copa, a de 94.

2) O que é mais prazeroso e também o mais difícil nessa profissão?
O mais prazeroso é o tema em si, agradável por natureza. O mais difícil são as fontes, a maioria delas vazias e inconsistentes.

3) Qual a matéria que você gostaria de ter feito que por algum motivo não fez?
São incontáveis as matérias não feitas, infelizmente. Por mim e pela revista que edito. Toda vez que leio uma grande reportagem em algum lugar fico feliz como leitor e péssimo como editor. Por que não pensei antes? Talvez essa insatisfação seja educativa...

4) O leitor brasileiro é exigente? O que você acredita que o leitor de placar espera da revista?
Gostaria que fosse mais exigente, que cobrasse de todo mundo precisão, brilho, graça. É o pena que não seja mais. Mas temos um grupo não muito numeroso de Placar que não admite erros de espécie alguma. Essa turma nos ajuda demais.

5) Você hoje é chefe de uma das maiores marcas em jornalismo esportivo do nosso país...acredita que já está no auge da sua carreira?
É bom a gente não confundir a pessoa física da pessoa jurídica. Essa confusão atrapalha muita gente na profissão. O Sérgio da Placar se dá melhor do que o Sérgio Xavier.O fato de estar momentaneamente em um lugar cobiçado não me faz melhor profissional. Sinceramente, preciso melhorar um bocado em vários quesitos.

6) Por que há em nosso país tão poucas publicações esportivas?
Porque gostamos muito de futebol, bem menos do que ler futebol. Para se informar sobre futebol basta ligar o rádio, ver a TV, o básico está ali. Ler é uma atitude menos passiva, mais difícil. E estamos em um país de analfabetos funcionais. As pessoas conseguem ler o básico, mas tem imensas dificuldades de pescar uma ironia, uma metáfora.

7) Que outras revista esportivas você gosta de ler?
Gosto muito da Four-four-two, da Inglaterra, do El Grafico, argentino. Mas adoro mesmo o El País, da Espanha, que é um jornal geral, mas apresenta uma seção de esportes inteligente, desafiadora. Queria ser que nem eles.

8) Você já teve atuações em outras mídias....qual gostou mais ?
Pergunta difícil. Todo mundo pensa que o rádio é fácil, e é uma complicação. É como se relacionar com alguém cego. Transmitir imagens para quem não está vendo é coisa de louco. TV é a arte da síntese, tendo que pagar o preço de ser uma falsa celebridade. As pessoas reconmhecem você na rua, mas no fundo, não tem a menor idéia de seu nome nem do que você disse. Acho muito divertido rádio e Tv, mas consigo me expressar melhor escrevendo na revista ou no site.

9) Que análise faz das coberturas esportivas no brasil e no mundo?

No Brasil, melhoramos muito. Ficamos mais combativos, menos passionais. Lá fora, chama a atenção a ruindade da imprensa espanhola (exceção honrosa do El País e do El Periodico). Lá não é preciso escolher a verdade, basta optar pelo que pode ser verdade. A imprensa americana é objetiva demais, os ingleses encantam pelo sarcasmo. A imprensa francesa é deslumbrada demais, todo muito é "trés" alguma coisa e dos alemães mal entendo as fotos.

10) Em quais jornalistas você se inspirou no começo de sua carreira?

Mino Carta, Nirlando Beirão, Wagner Carelli, Ricardo Kotcho. No Sul, onde comecei, um sujeito chamado André Pereira que escrevia demais e um repórter fabuloso chamado Ricardo Stefanelli que hoje comanda a Zero Hora. Do esporte, Lemyr Martins, Juca Kfouri, Divino Fonseca e Michel Laurence. Foi uma coincidência ter parado na revista de meus ídolos.

11) O que você não gosta na imprensa esportiva brasileira?
Da capacidade dela de falar de si, como se os próprios jornalistas fossem mais importantes do que os assuntos esportivos.

12) No final sempre peço um recado de um jornalista esportivo renomado para os iniciantes, os jovens que já estão ou pretendem estar seguindo esta carreira
Em primeiro lugar, de renomado só tenho meu sobrenome funcional, o "da Placar". O recado é simples. Tudo que se espera da gente é que contemos com graça uma história que ninguém está contando. A frase é simples, o complicado é descobrir como contar bem cada história.


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